Sobre a faculdade e outras coisas

sábado, julho 08, 2017



 Ano passado, 2016, eu nem cogitava em entrar em uma faculdade. Parecia algo distante da minha vida – tanto no quesito financeiro como intelectual.

Veja bem, apesar de ter gente que discorde, eu não sou uma pessoa muito inteligente – para quem me chamou de arrogante, está aí algo inesperado. Talvez seja mais a minha falta de interesse em assuntos que caem no ENEM, preguiça, tanto faz. O fato é: eu tinha em mente que eu não passaria em um vestibular.


Ler artigos sobre política e ser obcecada por certos governos a ponto de saber se tem geladeiras ou não dentro dos palácios deles não te faz inteligente - ou pelo menos eu acho que não. Aliás, essa é uma das poucas vezes que eu concordo com ela.
O ENEM é um tanto preocupante para quem está no Ensino Médio. Ou tu passas nessa prova, ou tu passas em outro vestibular e reza para ter dinheiro ou ganhar uma bolsa de estudos. Eu não tive a oportunidade de ganhar uma bolsa de estudos, então... enfim. É decisivo.

O cursinho (eu odeio essa palavra, pelo amor) te prepara, jogando em ti matérias que tu deverias ter visto na escola – mas não viu. E eu não estou reclamando e também não é questão de escola particular vs escola pública. Eles estão fazendo a coisa certa, o problema mesmo é quem elabora o currículo escolar. Com professores que preferem perder os 30 e poucos minutos de aula – era para ser 50 minutos, mas ninguém consegue dar mais de 30 minutos de aula – com discussões sobre qual político é melhor ou se nós deveríamos ou não fazer greve, fica complicado de passar em uma prova que é sobre o que se aprendeu no Ensino Médio.

Claro que, muita coisa, vai do interesse do aluno. Eu concordo. Demorei dois anos para me interessar por matemática e nesses dois anos desisti de medicina por começar a odiar ciências biológicas. Acontece.

Mas, voltando ao assunto, eu consegui passar num vestibular. Mas foi o vestibular mais idiota que eu já fiz. Como que tu pode saber se um aluno tem condições intelectuais de passar em uma faculdade através de uma redação? Uma redação, sobre um tema genérico que se assemelha ao tema da última redação. E depois, juntam os alunos numa sala e os mandam escrever um artigo. E pode formar quantos grupos tu quiseres, todos os artigos vão dizer a mesma coisa de qualquer livro de sociologia que o MEC distribui. Não há nada novo, nenhuma pesquisa. E não venha me dizer que “ah, mas é o primeiro semestre” pois somos preparados para saber, no mínimo, a escrever uma redação dissertativa. E a maioria sai da escola sem saber.

Não vou entrar no mérito de discutir que, das 86 vagas que tinham, cerca de 24 foram para ampla concorrência – que foi o que eu concorri. Eu sentei na mesa do vestibular pensando que eu passaria para psicologia ou jornalismo, segunda e terceira opção respectivamente, e não para a primeira opção, que era Direito. 24 vagas para um curso de Direito em uma faculdade relativamente barata e com “certificação do MEC/OAB”... isso é muito pouco. Não preciso comentar que o resto das vagas eram reservadas para cotistas, bolsistas e todos os ‘istas’ que o governo inventou nos últimos... 13 anos.

A faculdade foi o maior arrependimento* que eu já tive – embora eu goste de lá. Eu realmente achei que seria algo diferente da escola e não um ensino médio em uma sala com mais tomadas. Nos três meses antes do vestibular, eu posso dizer que eu mudei meu ponto de vista sobre algumas coisas – e isso aconteceu com um amigo meu também -, então estar em uma faculdade pareceu ser como um novo começo. Exceto que parece que eu fiquei no Ensino Médio com pessoas que não se importam com nada.

Não sei se isso vai mudar com o tempo, só sei que, se eu pudesse voltar no tempo, eu teria feito tudo de novo. O conhecimento que tu adquires e as pessoas que tu conheces são as melhores coisas. Eu nunca pensei em ver um professor saber tanta coisa sobre tantos assuntos ou uma professora deixando implícito que ela quer que tu argumentes com o teu ponto de vista sobre o assunto. Mais do mesmo por parte dos alunos, mas algo totalmente diferente (e esquisito) por parte dos professores.

Ah, uma coisa, totalmente fora do assunto: decidi ver aquela série do Hannibal, não é tão ruim. Na verdade, eu até gosto. Mas dizem que o Hannibal é apaixonado pelo Will. Bem, se analisar, o Hannibal se vê no Will; o Hannibal também é arrogante, acha que é (de fato é) superior aos outros. Por isso que ele gosta do Will. Mas dizem que no livro não é bem assim. Eu não assisti Dragão Vermelho por completo – e nem pretendo, pelo menos não por enquanto já que são duas linhas de tempo totalmente diferentes e é preciso separar o preto do branco – mas parece que ali tem um ódio mutuo. Qualquer dia eu falo sobre isso.

*É complicado de explicar: eu odeio direito penal, direito isso ou aquilo; eu gosto apenas de constitucional, fora matérias como Antropologia Jurídica, Teoria do Direito, Ciência Política, História do Direito... o que diabos eu faço numa faculdade de Direito? Não sei.

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