Amor e rivalidade.

quinta-feira, julho 20, 2017



Eu não sou fã de gremistas, apesar de que grande parte das pessoas com quem eu converso sejam gremistas. Eles são os torcedores mais irritantes do planeta – quase tão nojentos quanto corintianos – mas, como colorada, tenho que dizer que somos arrogantes. Meu amigo é gremista fanático, daqueles que perde um jogo e fica doente. Ouvir a história do time dele por seus olhos é magnifico; é uma paixão indescritível. Nunca é só futebol.

Vim de uma família de maioria colorada, minhas avós, no entanto, assim como um primo com quem não tenho contato, são gremistas. Minha avó materna nem fala em futebol, soube pela minha mãe que ela torcia para os azuis. Mas a minha avó paterna só manifestou uma vez sua paixão pelo time: ela ficou braba por queriam colocar fora um copo do Grêmio que ela havia ganhado seja lá de quem. Minha falecida avó, mesmo com todos os problemas que ela tinha, continuava amando o time dela.


Não sei direito quando eu comecei a amar o Inter, mas memória mais antiga que eu tenho foi eu dizendo que eu torcia para o time vermelho – eu tinha uns cinco anos. E comemorei, sem entender muito, o mundial de 2006. Perdi a vontade de assistir futebol e só em 2013 eu voltei a assistir os jogos, a acompanhar. O maior baque da história atual do Inter – depois da morte do F9 e do D’alessandro nos deixando por um ano – foi o nosso rebaixamento. Lutamos muito em campo, pelo menos no início daquele campeonato, mas largamos de mão no final. E caímos. E lutamos de novo e só recebemos outra confirmação de que tínhamos caído. Eu prefiro fazer piada com isso e levar tudo na brincadeira. Mas que dá vontade de matar um gremista quando eles vem encher o saco por causa disso, ah dá sim.

Paulo Sant’ana foi um ilustre gremista, comentarista, colunista. O cara falava muito do Grêmio, comemorava todas as vitórias do time e eu me lembro dele enchendo o saco da Cristina Ranzolin por causa daquela nossa derrota vergonhosa para o Mazembe. Mas o velho respeitava o rival. 

Infelizmente ele acabou falecendo quarta-feira. Sempre demonstrou o amor pelo seu time, sempre provocou o rival. Acabou conquistando gremistas e colorados. Ele era polêmico, parecia ter uma opinião sobre tudo. 

O que mais se vê nas redes sociais são torcedores, de ambos os times, triste com sua partida. Não importa o time, ele fez história na rádio, na TV, no jornal. Pode ser que torcemos para times diferentes, mas o que mais une é o amor que ele nutria pelo seu time de coração. E isso é uma de suas melhores características. 

A rivalidade os une, em certo ponto. Por mais que os azuis sejam chatos, o que seria dos colorados sem eles? Um dos motivos da nossa criação foi justamente o Grêmio, mas isso fica para outra postagem.

Fique em paz, Paulo.

Aliás, a vez que eu mais gostei dele na TV foi de quando ele lembrou que antigamente faziam a imagem girar – e que as crianças gostavam disso. Foi engraçado.

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