Taylor Swift: de vítima do machismo a vitimista.

sábado, fevereiro 04, 2017

peguei da postagem deles mesmo.

Taylor Swift é uma cantora pop dos EUA – creio eu que seja de lá, o lixo pop que tu escuta na rádio, em sua maioria, sai de lá – e feminista. Em uma semana, ela conseguiu se tornar a “cobra” – ou falsiane nos termos do Twitter/Tumblr – da indústria depois de “ter mentido sobre o Kanye West”.

Antes vou explicar a briga deles: 2009 a Taylor ganhou um VMA (Video Music Awards) e a Beyoncé (ou como chamam a musa do BLM/feminismo: Queen B) não. O Kanye West (esse cara é um rapper que se acha Deus) não gostou, subiu no palco e fez um discurso imenso com “yo Taylor, yo, yo” dizendo que quem merecia ganhar era a Taylor. Desde 2009 o cara era visto como machista, misógino, homem cis. Até que vem ao ano de 2016.

Ele fez uma música que, pelo o que eu entendi, falava sobre a Taylor e a chamava de vadia (não discordo nisso). A Taylor ficou braba e os dois começaram a brigar. Eis que entra a Kim Kardashian na história.

Kim Kardashian ficou famosa graças a uma sex tape e tem um reality show. Não vou negar que eu assisto – ela é mais burra que qualquer pessoa que eu conheço porém é engraçado e bom para passar o tempo. Mas você deve conhecer o Robert Kardashian, pai dela, que ficou famoso ao defender o O.J Simpson (assista ACH: People vs O.J Simpson para entender mais e ver como as Kardashians surgiram). Enfim, ela é podre de rica. Kim também é ativista do Black Lives Matter.

Kim e Kanye são negros – embora ela use tanta maquiagem que em algumas fotos fica branca – e a Kim, esposa dele, se meteu nessa história toda. Ela publicou vídeos no Snapchat dizendo que a Taylor sabia e etc etc etc. Mas agora que eu expliquei, vamos ao que interessa:

Eu estava no BuzzFeed (sim, eles têm matérias boas) e achei uma postagem falando que a Taylor Swift construiu a fama com o vitimismo. Essa palavra é muito comum na direita do Twitter/Facebook para falar sobre o BLM e o feminismo.



(...) West não estava sugerindo que ela não era merecedora — ele estava se opondo contra o racismo sistêmico na indústria da música que consistentemente favorece artistas brancos. (...) A reação dominante, no entanto, foi um reflexo do que o mundo foi condicionado a ver: a “ameaça” de um homem negro “furioso” aterrorizando a “inocente” mulher branca. Até mesmo as roupas alimentaram o cenário vítima/vilão que iria definir o incidente: a imagem de West, usando cores escuras e uma roupa completamente preta, contra a Doce Swift, em seu vestido de festa branco e prateado. – BuzzFeed sobre o piti do Kanye West.

Tchê, sinceramente, me caiu os butiá do bolso, como diz uma amiga minha.

NUNCA pensei, nesses três anos sendo contra essas coisas que a esquerda vende, ler algo assim. Eles se virando contra uma mulher feminista por ela ser branca. A Sara Winter já falou que existe pressão para ser lésbica, para seguir certos comportamentos, mas eu nunca levei fé por seguir a onda de não acreditar muito nela.

A opinião pública se espalhou tão drasticamente que até mesmo o presidente Barack Obama o rotulou como um “babaca”. Swift, por outro lado, conseguiu capitalizar o estereótipo do “homem negro furioso”, um arquétipo que já foi descrito como uma “invenção da imaginação branca” para encarcerar e oprimir homens negros.

Bastou ela ir contra um homem negro e agressivo – sim, ele é totalmente louco mas não por ser negro, de passado difícil, rico ou homem, mas sim por ser totalmente sem noção – que virou a vilã da história, virou a rainha má. Mesmo ela tendo dito publicamente que perdoa o Kanye, mesmo ela fazendo piada da situação; nada do que ela fez ajudou para ela não ser rotulada de racista.

No clipe de “Shake It Off”, ela veste uma bomber jacket e uma corrente de ouro e tenta fazer twerk, antes de se arrastar por entre as pernas de dançarinas de maioria negra, compondo a fetichização histórica do corpo negro feminino. Ela também foi repetidamente acusada de forjar o termo “squad” para dizer “grupo de amigos” — uma palavra que na verdade tem suas raízes na cultura negra. (...) Consertar os devidos erros culturais de “Shake It Off” foi deixado para trás em favor de um novo clipe retratando “uma fantasia africana colonial”. E a única vez em que foi lhe dada a oportunidade de aprender sobre a experiência das mulheres negras (por Minaj), Swift imediatamente voltou à sua postura de vítima. Na verdade, sua frágil feminilidade branca é meramente um reflexo de seu privilégio. Ela se sentir tão profundamente vitimizada pelos tuítes de Minaj e West é a prova de que nunca sofreu nenhuma opressão.

Caso ela colocasse apenas mulheres brancas, seria racismo. Será sempre racismo pois ela é branca do olho claro. Simples. Não há o que argumentar, pois sempre vão bater nessa tecla.

Mas vou abrir um parêntese aqui: ela lançou um clipe, filmado na África, sobre amor e etc. Ela, loira com peruca preta e olhos azuis. Dizem, nunca prestei atenção, que não tem um negro sequer no videoclipe dela. Tudo que diziam, na época, era “está sendo filmado na África, então tem que ter negro”. Ok, eu concordo, dá para ter quem tu quiseres nas filmagens, não importa se é negro ou branco. Mas não é obrigatório, existem muitos clipes de negros sem nenhum branco e não tem problema nisso, quem escolhe são eles. Nada vai ser ruim ou melhor por ter gente da cor azul nos clipes.

Invocar o sexismo foi de certa forma irônico, já que ela publicamente havia criticado o feminismo mais cedo em sua carreira. No entanto, em 2014, Swift viu as conversas sobre o feminismo se tornando populares e usou isso a seu favor. Ao sugerir que o retrato da mídia sobre sua vida amorosa tinha sido injusto e sexista, Swift conseguiu absolver-se de qualquer culpa sobre a maneira com que seus relacionamentos foram reportados e percebidos. (...) É indiscutível, no entanto, que Swift não é de forma alguma uma aclamadora do movimento. Isso fica claro em seus comentários sobre haver um “lugar especial no inferno para mulheres que não conseguem apoiar outras mulheres” e a repetida menção de seu “incrível grupo de amigas” que sempre “estão entusiasmadas em relação a outras mulheres”. Mas, como o “Washington Post” pontuou: “Há uma diferença entre ser feminista e se chamar de feminista. O feminismo é mais do que apenas apoiar suas amigas ou só exibir frases encantadoras sobre o ‘girl power’; é um movimento político com objetivos políticos”.

Várias artistas já falaram que iriam fazer algo e seguiram por outro caminho. Na época de Hannah Montana, a Miley Cyrus disse que era uma puritana. Demi Lovato disse que jamais fazer “twerk” e fez. Então, repito, uma mulher branca de repente diz que um homem negro é machista e acham entrevistas de 2006 para dizer que a culpa é dela. Mesmo sendo feminista.

O que me lembra daquela mulher que não disse que foi estuprada por um refugiado pois era errado denunciá-lo. É tipo alguém te roubar e tu pensar “ele é pouco privilegiado, não vou denunciar”. Uma comparação idiota mas que se encaixa.

Na verdade, seu grupo zomba dos princípios feministas ao ser um clube exclusivo e esmagadoramente branco, magro e heterossexual — e isso acontece porque Swift enxerga o feminismo somente a partir de sua própria experiência pessoal. (...) No começo de sua carreira, Swift aderiu aos indicadores da fragilidade feminina branca, apresentando-se como uma figura ingênua dos tempos modernos. 

Manipuladora de mídias, é assim que Ellie a descreve. Hoje, é visto que, é mais simples ser uma maconheira de esquerda do que uma mulher de direita em Hollywood. Azelia Banks está sendo detonada em todos os locais por defender Donald Trump; já disseram que ela até fez cirurgia para ficar mais branca – o que na verdade, ela usa a mesma maquiagem que a Kim Kardashian.

A briga expôs que a fragilidade branca é o componente mais imperativo no sucesso de Swift. Apresentar o melodrama da mulher branca permitiu que Swift firmasse sua postura como vítima e resolvesse qualquer conflito com facilidade, sem levar nenhuma culpa. (...) Isso provou que Swift sabia do poder que ser uma mulher branca lhe trazia — a presunção de inocência e empatia — e que ela usou isso em sua vantagem para manchar a reputação de West enquanto fortalecia a sua própria. Swift propagando essa narrativa de mulher branca frágil para pintar o homem negro de vilão é “cruel”, no mínimo, e, no máximo, perigoso.

Ou seja: você quer ser famoso? Ah, espera, você é branco. Tente novamente mais tarde.

E também há o fato que, enquanto as referências ao vitimismo em suas letras são cruciais para reter sua base de fãs, elas se aplicam apenas a mulheres como ela. Ou seja, mulheres brancas, de classe média, heterossexuais e femininas. Na verdade, em vez de falar aos fãs sobre a desigualdade, ela escolher falar sobre se sentir “machucada” pelo final de um relacionamento.

Taylor Swift fala de relacionamentos ideais, sobre mulheres que sonham com o príncipe encantado e depois se decepcionam. Eu não vejo problema nisso, e meninas brancas e negras foram criadas para esperarem pelo cara certo. É normal a menina se apaixonar e quebrar a cara, não importa a cor ou opção sexual.

O texto do BuzzzFeed termina com uma crítica a Donald Trump pois o acusam de querer tirar direitos das mulheres – MAS PRINCIPALMENTE AS MULHERES MINORIAS. O que diabos é isso? Dentro deste grupo, mulheres, há outro grupo que é uma minoria? São as feministas limpinhas, depiladas e magras? São as que acreditam em Deus, que usam roupas e respeitam a família e aos outros?

Um adendo: sabem o Bruce Jenner? Ele é o pai das irmãs da Kim Kardashian e decidiu fazer a cirurgia e virar mulher. Pronto. Aí ele disse que iria apoiar o Donald Trump. Ei, Tumblr, você se lembra dele ainda?!


A postagem do BuzzFeed e as pessoas que criticam Taylor Swift não é por ela ser feminista. É por ela ser uma branca que não baixou a cabeça para um negro, o que vai contra o que dizem sobre as minorias. Pois eles são os oprimidos então, ao invés de sermos amigos, devemos ser os escravos dele. Outro ponto importante é que eles precisam de um bode expiatório, já que não se prestam nem para ganhar uma eleição. E eu não duvido que, caso Clinton estivesse no poder, esse assunto jamais seria abordado. Afinal, a esquerda precisa culpar alguém por sua incompetência. 

É muito fácil de se tornar "vitima" da esquerda, ou de qualquer movimento que tu faça parte. Qualquer pessoa que se incomode contigo, vai ir aos confins do inferno para achar um podre. Mas aqui fizeram algo pior: disseram que ela é racista. Além do mais, Ellie Woodward, branca do cabelo lisinho, é racista em seu próprio post. 

A esquerda está colhendo o que plantou; esperaram tanto destes artistas que representavam o feminismo e se ferraram. Tudo que um artista quer é ganhar dinheiro. Ou vocês acham que a J.K Rowling disse que o Dumbledore era gay quando o LGBT estava em alta por ele ser realmente gay? Ou ela dizer que a Hermione é sim negra quando o BLM estourou? - e quem disse isso fio uma amiga minha que é negra e "luta pelos direitos dos negros" ou seja lá o que significa isso. 

Agora entram em uma competição para saber quem é mais vitima e percebem que, no fundo, isso não tem sentido algum. Se tivermos sorte, 2017 essa praga desaparece como qualquer moda anterior. O fim já começou: estão acusando uns aos outros. Agora é só pegar a pipoca e acompanhar.

OBS.: não defendo a Taylor Swift, por mim ela que se exploda. Mentira, eu gosto das músicas dela. Pois é, dá para curtir as músicas de alguém que tenha uma opinião diferente da sua. Até mais.

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